Jorge Castanheira da Silva
Empresário do ramo da torrefação e moagem de café, trabalhou mais de 50 anos na área. Foi presidente do Sindicato da Indústria da Torrefação e Moagem de Café no Estado do Rio de Janeiro (Sincafé), membro do Conselho de Administração do CIRJ e do Conselho de Eméritos da Firjan. Faleceu no dia 14 de abril de 2026.
Português, filho de João da Silva e Maria Clotilde Castanheira, Jorge Castanheira da Silva nasceu no dia 22 de novembro de 1939 e chegou ao Brasil em 1958. Estabeleceu-se em Santos, São Paulo, onde trabalhou inicialmente em uma mercearia fina, onde os clientes recebiam tratamento especial, bebiam uísque e outros drinks. Quando na cidade, trabalhou no Santos Futebol Clube, prestando serviços à agremiação e viu de perto a ascensão de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, no futebol.
Após 5 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para ficar perto de sua irmã, Maria Etelvina Castanheira, que tinha vindo de Portugal. Em seguida, Castanheira começa a trabalhar com o cunhado, que tinha um comércio de transporte de pedra britada e areia para as indústrias da construção civil. Após alguns anos, o destino o aproximou da indústria cafeeira e ele se tornou sócio da empresa Café União do Brasil, de torrefação e moagem de café.
- Eu me solidifiquei através das amizades que fiz durante alguns anos com os clientes que a gente tratava com algum carinho. A partir daí, foi-me oferecido, nesses convívios comerciais, se eu gostaria de comprar uma indústria. E essa indústria foi uma indústria de café. A indústria de café estava plantada na Praça da Bandeira, na Rua Joaquim Palhares com São Valentim. Ali eles tinham uma indústria que abastecia o mercado do Rio de Janeiro. (...). E assim pegamos a indústria, ficamos com ela durante alguns anos, até chegar o momento certo para criar dentro dessa raiz, um poder econômico mais alicerçado e com efeitos positivos na qualidade do produto, com respeito às embalagens, e a uma série de coisas que a gente não tinha, e que naquele tempo era feito com muita dificuldade. Mas a gente conseguiu fazer com algum carinho e com algum sucesso.
Além do Café União do Brasil, Castanheira também foi dono da marca de café Unilar, pela qual lançou o Café Odeon como parte de uma estratégia global de exportação do produto. Além de trabalhar na indústria de torrefação, o empresário também exerceu durante 6 anos a função de juiz classista, que eram juízes que não precisavam de formação em direito e eram indicados por sindicatos para mandatos na Justiça do Trabalho.
ATUAÇÃO SINDICAL E NA FIRJAN
Jorge Castanheira começa sua vida associativa no Sindicato da Indústria da Torrefação e Moagem de Café no Estado do Rio de Janeiro (Sincafé) em 1970. No início, com poucos e inexperientes integrantes, a principal discussão era sobre os obstáculos que a indústria enfrentava e o entendimento de que apesar de o governo conceder incentivo real ao setor, a área ainda dava prejuízo. Em 1992, o empresário assume por um mandato de 3 anos a
presidência do Sincafé e como presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Neste mesmo ano, passa a fazer parte, como suplente, da Diretoria da Firjan. Em 1997, recebeu a Medalha do Mérito Industrial do Rio de Janeiro pela empresa Unistado.
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Em 2013, entra para a Comissão Fiscal do Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ). Em 2020, passa a fazer parte de forma efetiva do Conselho de Administração do CIRJ. Em 10 de julho de 2023 ingressou no Conselho de Eméritos da Firjan.
Jorge Castanheira faleceu no dia 14 de abril de 2026.
Fontes:
Entrevista de Jorge Castanheira da Silva ao projeto Memória da Indústria em 04 de julho de 2024.